sábado, 22 de abril de 2017

Ucrânia, Coreia, Irã, Síria… Tio Sam luta falsificando a história
 Ukraine, Korea, Syria, Iran… Falsifying History is Uncle Sam’s Way to War
Texto de Finian Cunningham, tradução de btpsilveira

No discurso pronunciado pelo presidente Vladimir Putin no Fórum Internacional do Ártico, ele ressaltou os perigos reais e presentes apresentados pela falsificação da história. Afirmou que esta distorção deliberada da história corrói a lei e a ordem internacional, criando caos e levando a conflitos futuros.

O líder russo lamentou o uso da história como uma “arma ideológica” para demonizar terceiros, e disse que sem uma compreensão apropriada da história somos levados a repetir erros do passado.
Também recordou uma das máximas de Karl Marx que certa vez afirmou: “a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa”.
Como que para exemplificar, enquanto Putin enumerava os perigos de falsificação da história, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko era recebido em Londres pela Primeira Ministra inglesa Theresa May durante uma visita de dois dias.
O regime sediado em Kiev e liderado por Poroshenko teve origem em um golpe ilegal e violento em 2014 contra um governo eleito democraticamente, contando com apoio encoberto de Washington e da União Europeia. Desde então, o governo militar ucraniano está enfronhado em uma guerra contra a região leste do país, na qual até agora já houve mais de 10.000 mortos, e cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas. Tudo porque a população de etnia russa da região do Donbass se recusou a reconhecer a legitimidade do governo de Kiev, por causa da forma ilegal pela qual assumiu o poder há três anos.
No entanto, a se acreditar na maneira pela qual Poroshenko e o regime de Kiev descrevem os acontecimentos, a Ucrânia estaria lutando contra uma invasão pela Rússia. A falsificação da história pelo presidente ucraniano foi legitimada pela sua hospedeira britânica que acenou respeitosamente enquanto Poroshenko afirmava que seu país era um baluarte da defesa europeia contra a invasão russa.
“Este não é um conflito ucraniano, é europeu. As sanções e a resistência do exército ucraniano são a única razão pela qual os tanques russos ainda não estão na Europa”, disse Poroshenko. Essa versão asinina da história recente recebeu aprovação tácita da Inglaterra.
Mesmo sem querer, Poroshenko parecia estar confirmando os perigos da distorção histórica, exatamente como alertava Putin.
A falsificação dos fatos recentes e contemporâneos na Ucrânia podem ser um expediente útil para reforçar o apoio financeiro e militar para o cambaleante e corrupto regime em Kiev; essa propaganda escandalosamente falsa da História também pode ser usada para expandir o poder militar da OTAN, liderada pelos EUA, com todos os seus contratos lucrativos de vendas de armas para os governos ocidentais, como consequência dessa atitude. Mas essa deturpação dos acontecimentos serve, em última instância, para alimentar um conflito desnecessário, assevera Putin. Essa distorção flagrante também pode ser classificada como um ato criminoso para desfechar uma guerra.
Mas a Ucrânia é apenas um exemplo. Os perigos da distorção histórica, supressão ou falsificação dos fatos são abundantes em desenvolvimentos internacionais recentes.
Esta semana, o vice presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, estava mais uma vez ameaçando e Coreia do Norte com “aniquilação” e guerra, dizendo que a espada (norte)americana “estava desembainhada” para “proteger a liberdade” dos japoneses e seus aliados da Coreia do Sul, apresentando o quadro de um conflito entre os “mocinhos” apoiados pelos EUA e os “bandidos” apoiados pelos comunistas.
Se Washington reconhecesse o legado horrível dos crimes de guerra que foram cometidos durante a Guerra da Coreia e que resultaram na morte de mais de três milhões de pessoas, aniquiladas pelo bombardeio em tapete promovido pelos EUA, talvez houvesse a oportunidade de um diálogo criativo que resolvesse de vez o conflito em andamento na Península coreana. Mas da maneira que está, com os (norte)americanos mais uma vez apresentando uma retórica fantasiosa sobre a história coreana, o que se esta promovendo é o aumento das tensões e de um conflito mais além. Dessa forma, a tendência é que a verdadeira intenção de Washington com mais essa falsificação da história mostre a sua cara feia.
Outrossim, Washington continua afirmando que seu ataque com mísseis contra a Síria no início do mês são um “legítima” demonstração de poderio militar, que pode ser usado contra qualquer nação que julgue estar violando a Lei Internacional, citando os incidentes com armas químicas na Síria em 04 de abril. Os Estados Unidos e seus aliados alegam, sem a menor evidência, que o incidente foi levado a efeito pelas forças do governo da Síria.
Trata-se de mais uma falsificação flagrante da história, construída pelos governos dos EUA, Inglaterra e França, em conjunto com a Organização para a Proibição de Armas Químicas, afilada da ONU. Todas estas acusações foram efetuadas com uma pressa indevida e sem uma investigação imparcial dos alegados incidentes com armas químicas em Khan Shaikhun, na província de Idlib. No entanto, as acusações sem fundamento foram invocadas como “justa causa” para ataques com mísseis contra a Síria pela administração Trump apenas três dias depois, quando na realidade esse bombardeio deveria ter sido denunciado e condenado como uma agressão ilegal e um crime de guerra contra um país soberano.
Uma falsificação da história bem pior e ainda mais perturbadora e assustadora se revela quando informações fidedignas mostram que os assim chamados “capacetes brancos” (White Helmets), um “grupo de resgate” formado por militantes armados e ilegais intimamente ligados com a mídia, trabalhando como seus agentes, são todos financiados pela inteligência dos (norte)americanos, britânicos e franceses. É por isso que a Rússia, Síria e Irã estão exigindo uma investigação completa e imparcial sobre o último incidente com armas químicas. Há fortes suspeitas de que o incidente não passou de uma armação propagandística, efetuada pelos militantes apoiados pelas potências ocidentais, justamente para criar um pretexto para os ataques dos Estados Unidos contra a Síria que se seguiram.
Este cenário em particular mostra com clareza que a narrativa mais ampla de toda a Guerra da Síria, que começou em março de 2011, não passa, desde o início, de uma operação ocidental encoberta, destinada a mudar o regime no país. O objetivo da mudança de regime era derrubar o presidente Bashar Al Assad, aliado estratégico da Rússia, Irã e Hezbollah, e ferrenho oponente das intrigas do ocidente imperialista na região do Oriente, Médio, rico em petróleo. Documentos (norte)americanos arquivados e deliberadamente omitidos do conhecimento público pela mídia e pelas autoridades governamentais mostram que uma derrubada do regime apoiada pelas potências ocidentais está na pauta da CIA e do MI6 britânico já há várias décadas.
A falsificação da história no curto e longo prazo é uma maneira crucial para as potências ocidentais continuar a desenvolver suas pautas ilegais de conflitos e mudanças de regime – uma pauta que depende totalmente do apoio das potências ocidentais a grupos terroristas que fazem o trabalho sujo por procuração. São as mesmas potências que já fizeram isso no Afeganistão, Iraque, Líbia e muitos outros países pelo mundo todo, sempre usando similares dos esquadrões da morte que atuaram na América Central e do Sul.
Como referido pelo presidente Putin em seu discurso desta semana, a falsificação da história explica porque a guerra na Síria continua em andamento e parece não ter um final à vista. Não só na Síria, como na Coreia do Norte e na Ucrânia, entre outras zonas de conflito.
Falando em outras zonas de conflito, nesta semana o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, General James Mattis, acusou provocativamente o Irã – mais uma vez – de ser o “líder mundial de apoio ao terrorismo”. Mattis estava falando estas palavras de pura “sabedoria” (norte)americana quando estava na Arábia Saudita! Só uma pessoa com uma noção profundamente irreal do papel da CIA no terrorismo contra o Irã (o golpe de 1953 e ‘otras cositas más’) bem como o entendimento deliberadamente errôneo do despotismo saudita apoiado pelos EUA pode fazer uma declaração tão escancaradamente absurda como a que Mattis fez, alimentando ainda mais as tensões conflituosas em uma região tão sensível.
Se o público ocidental fosse totalmente informado da maneira pela qual as crises na Ucrânia, Coreia, Síria e Irã têm sido largamente promovidas pelas maquinações do ocidente, então estes conflitos provavelmente terminariam. Porque as causas dos conflitos deveriam ser exaustivamente divulgadas, mostrando a culpabilidade dos governos ocidentais, em particular dos Estados Unidos.
Então, se a justiça vencer, aqueles políticos ocidentais e seus veículos de imprensa, responsáveis por ocultar, distorcer e dessa forma alimentar aqueles conflitos seriam finalmente responsabilizados por seus atos.



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